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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Uma vez na rua


Leva-me para a rua,
Mesmo que sob protesto,
E ainda que chova,
Deixa-nos ficar sem abrigo.

Expostos e em abraço forçado,
Respiremos juntos, somente,
Até que o peito acerte o compasso
E o silêncio tome conta dos lábios.

Palavra alguma deverá interpor-se
Entre os meus olhos e os teus,
E se me esquivar, como faço sempre,
Está nas tuas mãos, deter-me.

Não te zangues, nem desesperes
Tu sabes que serei como uma enguia,
A escapar-se por entre dedos,
Mas com igual desejo de ficar.

É uma luta shakespeariana
Entre o querer e o pensar.
É um medo de tocar e estragar,
Como faço sempre…

Pudesse eu evitar ser tão escorregadia
Pudesses tu evitar ser assim tão meu desejo
Voltasse eu a sonhar o nosso sonho
Serias, mesmo, só meu?

Basta que me faças sorrir, uma vez mais…
Um sorriso, que irrompe involuntário
Tem um efeito endiabrado,
É a ruína de qualquer protesto!

Direi: - Detesto-te!
Mas não arredarei pé,
Deixarei que tomes o meu pulso,
me sintas com o coração na boca…

É um plano arriscado,
mas uma vez na rua,
Todas as escolhas são caminhos,
E todos os caminhos convergem para ti!


Imagem: Autor desconhecido




terça-feira, 26 de agosto de 2014

Rumo ao esquecimento




Pintura de Ana Luisa Kaminski

Ecos da mente que mente
Ilusões que alimenta para preservar
A luz solar que me move
[Os raios tendem a enfraquecer
e eu não aceito menos que a Luz.]

Não tenho qualquer pretensão
Tão pouco peço para que compreendas
Os passos que dou, o caminho que escolho
Não é de ânimo leve, nunca o foi e ainda assim...
Acreditas tão facilmente que és nuvem negra
Tu que foste o Inferno, mas também o Céu.

Existem músicas dentro de mim
Ecos da mente que não mente
Impressões que deixo nas ruas por onde passo
Como um caminho de pedras brancas,
Ansiosas pelas estórias prometidas.

Não me vês e eu não te vejo,
estamos cegos e isolados...
Abraço a ténue luminosidade
e segredo-lhe ao ouvido:

_Os raios tendem a enfraquecer
E eu não aceito menos que a Luz...
Soltas-me do laço rumo ao esquecimento,
A tua dor carrega o cheiro de antigo fingimento,
A minha dor mente ao partir sorridente.





Frágil atrevimento

Autor desconhecido (contém hiperligação para a página de origem)

No bater das asas de uma ave menor
coração a mil pela saudade que se esquece ter,
longo é o caminho que percorro,
movida por este meu querer,
de te querer,
sempre!

Mas o meu atrevimento é como uma bola de sabão
Dura, ainda que com intensidade, apenas um instante
Honesto e vibrante nas suas cores e transparências,
Frágil e acorrentado nos seus ses e no que deve ser,
Evapora-se, sem nunca tocar no chão.

Tu, acreditas tão facilmente, enquanto desato
nós e laços desta estranha rede que nos une e prende,
razão pela qual não fico, ainda que nunca parta
Ainda que o bater das asas me afaste,
no coração reside a saudade que não se esquece.


No bater das asas de uma ave menor,
caço as palavras que larguei no vento,
como se ao desfazer tudo o que vivi,
possa pretender não te querer,
como te quero,
sempre.



domingo, 27 de janeiro de 2013

Não sabia...



Eu recordo o riso ecoando nas ruas desertas
Eu sinto a pressão dos teus dedos entrelaçados
Eu revejo as ruas que percorremos:
Juntos, sorridentes e enamorados!

E se o dia era calor, a noite era…
Cetim, renda e lençóis…
O teu sorrir, as tuas palavras,
Do meu sentir, anzóis….

E nas tuas mãos depositei inocência
E no meu corpo recebi teu estremecer
Julguei, amor…
Julguei, saber…


Um dia chegou e com a noite manchou a pureza
Era prémio e não sabia,
Era vítima e não queria,
Ser atraiçoada assim…

E na dor, ruí
E no sofrimento, repeti
Pensei, que o amor não era para mim
E o amor não quis!

Hoje, revejo o riso ecoando nas ruas desertas,
Sinto a pressão dos teus dedos entrelaçados
Sobretudo, nas ruas que percorremos
Juntos, sorridentes e enamorados!

Se sucumbi ao desejo, porque te merecia,
Cedo rastejei na armadilha!
Era prémio e não sabia…
Não sabia…

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Confissões de um conquistador

No mundo que piso sou prático.
Acredito apenas no que vejo e no que sinto,
Crio as minhas rotinas e sou-lhes fiel!

Mas, como a maioria dos homens, vivo o momento.
Travo outros conhecimentos, outras companhias....
Mulheres em cápsulas de adrenalina, injecções de vaidade.
Alimentos para um apetite que se sacia e logo se farta.

Sou um homem de poucas palavras.
O flirt é pobre em vocabulário,
O que não digo é parte do encanto.
Agrada-me que completem os espaços em branco.

Mulheres, troféus de saliva na boca amiga,
Gargalhadas cúmplices de cervejas molhadas.
Contos do tremoço que se cospe para o lado,
Partilhas normais entre camaradas.
É assim que começa…
É assim que acaba!

Surpreendem-me aquelas que falam de mim
como se vissem além do que eu vejo...
Mas tudo o que lhes deixo, de tão superficial,
faz da profundidade um lugar desabitado.
Na verdade, nem mesmo eu lá vou…
Quem saberá como sou?

O engano não é meu, acreditem!
Sou marido de uma, mas homem de muitas...
Nada deixo ao acaso, nos desvios da minha rotina fingida.
Passos que dou apenas na areia de praia,
Que se o vento não apaga a prova, o mar leva-a…

Autor desconhecido (contém hiperligação para a página de origem)


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Pintura introspectiva


Tantas questões de resposta simples,
tantas a que não respondo.
O que querem diga?
Apenas pinto o que vejo,
ainda que mais ninguém o faça...

Fecho os olhos, remeto-os ao interior
A dor está presente e é imensa.
Sacode as copas das árvores,
cria remoinhos de folhas,
espalha o caos pelo chão.

Parece-me.. Divertida?
Vejo-a nas colinas,
rodopiando até cair.
Parece sorrir...
Juro-vos que ri para mim!

Continuo o meu caminho,
opto por seguir o aroma das cores,
mais forte aqui do que no exterior.
O que vos posso dizer?
Também a mim me surpreende
este verde imenso, repleto de flores.

Na linha do horizonte, um telhado camuflado
confunde-se com o pôr-do-sol.
É o espelho de água que o denuncia,
vi o seu reflexo.
Parece-me caminhada de um dia,
demorou apenas um instante de pensamento.

A casa está fechada, vazia, desabitada
Incomoda a paz que se sente.
Penso nos que se remetem ao silêncio,
encontrarão eles tal sossego?

Tantas questões de resposta aparentemente simples,
Tantas a que não respondo...
O que querem diga?
Se é a paz que vejo neste isolamento,
como a antítese perfeita do que vivo.
Apenas pinto o que vejo,
ainda que mais ninguém o faça...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Onde estás?

Onde estás?

Porque não ouves o meu grito
vindo de todas as arestas que escalei
neste abismo em que me encontro...

Onde estás?
Eu que te espero
até que a pele seque nos ossos
e a terra elimine qualquer sinal

de que existi
e que existindo
esperei
por ti!

Fotografia de Fábio Martins (contém hiperligação para a página do Autor)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ouve-me


Ouve-me
Eu que te chamo desde sempre
Quando era apenas poeira que brilha
Quando era apenas, desta vida, semente.

Ouve-me
Eu que te falo de um tempo sonhado
Voz que canta no teu dormir
Canção que esqueces quando acordado.

Ouve-me
Eu que peço ao universo,
o enlace dos fios que nos prendem
Desejo presente em todos os meus versos.

Ouve-me
Ainda que penses não conseguir
Pois eu sou a aurora nos teus sonhos,
a Alma que te vê partir.



terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ofélia

Hoje, sou manta morta,
não sinto mais.
Hoje sou massa disforme
preenchida por um turbilhão de ecos vazios,
gestos retorcidos que não formam coisa alguma.

Hoje, o meu ritmo cardíaco é fraco
assim como é o volume da minha voz
Perco a vontade, escapa-se-me a vida...
Sem razão não vivo!
Sem esperança deixo-me ficar...

Hoje, a minha pele não reage
Não treme, não arrepia...
Como me sinto à deriva,
penso que há muito morri
e que o não sabia.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Saudade poética






Resposta a um desafio literário lançado por Sílvia Mota, autora e criadora da PEAPAZ, tendo o mesmo sido destacado pelo júri constituído.

domingo, 8 de maio de 2011

Uma verdade trancada...

Olha para mim e diz-me o que não vês...
Sou como um segredo fechado a cadeado...
Não morro e não mudo...
Luto!

Travo uma batalha contra as outras cores...
Teimam em pintar uma outra verdade,
um outro segredo para o meu lugar...
Como se os factos mudassem num colorir de face...

Se lhes fizesse a vontade, seria livre...
Não mais dormiria só, num lugar trancado
Se me deixasse pintar, era verdade de todas as bocas
Um segredo por todos, partilhado...

Mas eu... «Olha para mim...»
Eu não sou um segredo pré-fabricado!
Diz-me o que em mim vês...
O que não vês em qualquer outro lado?

Não sou um segredo do mundo!
Não vos prendo pelo meu encanto...
Sou uma verdade trancada,
esquecida no meu recanto...

Olha para mim e diz-me o que não vês...
Sou como um segredo fechado a cadeado...
Não morro e não mudo...
Luto!


Obrigada Margarida Castro pela música que o inspirou!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

À deriva

Autor desconhecido (contém hiperligação para a página de origem)


Viajo nesse rastro do outrora,
do que não foi e do que poderia ter sido
e perco-me entre amargas lembranças
que não deixam esquecer os sorrisos
e tudo o que poderia ter acontecido.

São breves momentos esticados e entrelaçados
por fio sintéticos que a vida não quis tecer.
São momentos falsamente vividos, pré-fabricados,
tecidos por nós para nós, falsa vida de um falso viver.

Ser Criador de um nada e viver uma existência sem existir.
Um consolo sem consolar…
Ser tudo e ter tudo…
Coisas que a vida não me quis dar.

Um pico acima e um pico abaixo
É o Céu e o Inferno
O Amor e o desgosto
Um abraço e um safanão
Horas de fome, outra de abundância
O Inverno e simultaneamente o Verão.

É ser artista de circo, malabarista ou trapezista
Viver do perigo, com o perigo e para o perigo.
Do calor dos aplausos à solidão da noite.
Das taças erguidas ao copo solitariamente vazio.

Viver a vida de mãos atadas,
pedir socorro sem falar,
definhar e jorrar vitaminas,
na esperança de uma palavra ou um olhar.

É mais fácil deixar morrer do que viver para salvar
Todo o esforço se perde em mais uma agressão.
Ciúme, um dia. Desgosto sempre!
Caímos nas malhas da tola discussão.

É tão fácil olhar para trás e fazer de conta
que as lágrimas correram em vão
por erros cometidos e duramente punidos…
Justiça não foi feita e a merecida recompensa
foi sempre alimento de uma só refeição.
Pedaço de pão duro, osso duro de roer,
pequeno alívio de tão difícil digestão.

Sonhos de reconciliação, pura combustão carnívora ou sexual,
fome avassaladora de engolir esse mundo…
Mas tudo se vai esvaindo, tudo nos vai fugindo
e depois, quando tudo acabar, a culpa até foi nossa:

Secámos e não amámos o suficiente.
Não fomos até ao fundo do poço.
Apenas andámos à deriva…
Abaixo do nível do Inferno.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Estrelas do meu desejo

Autor desconhecido (contém hiperligação para a página de origem)

Escorre a lágrima pela testa,
beijo molhado do meu suor,
Contorna o corpo que se torce
para desaguar no corpo do amor.

Foz do meu rio, navio no meu porto atracado,
a vela, ergues dentro do meu templo,
num gesto vibrante e enamorado.

Ouve-me como uma brisa marinha
Sente-me em ti como num turbilhão
Entrego-me em cadências de vento,
levando-nos para o largo da paixão.

És marinheiro de águas subterrâneas
Águas que emergem ao toque,
brotando das suas fontes cutâneas.

Eu sou o teu porto de abrigo
O teu corpo descansado em mim
da viagem esquece o perigo.

Segue as estrelas do meu desejo
do teu navegar caminho e motor
Leva contigo o meu beijo,
deixa uma promessa de amor.




segunda-feira, 2 de maio de 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Provocações poéticas - I - Poeta

Resposta a desafio na PEAPAZ

terça-feira, 26 de abril de 2011

Porque não te amo


Pouco me importa a razão deste querer que te quer tanto
Pouco me importa que te encontre só para te afastar
O que me dás sem nada me dares... Enfim!
O que tenho ainda que não te tenha... Tenho tudo, tenho tanto!

Amo-te, sem amor!
Amo-te com dor
e no fervor deste desamor
Amo-te e carrego-te comigo para onde for...

Para onde for sem olhar para trás, ainda que sabendo
que tu, amor, és uma porta que deixei por abrir!
Não penso voltar... Eu sei que não voltarei...
Cravei-te em mim e tenho tudo o que preciso.

Por isso, amor, pouco me importa o teu sentir
Tenho-me plena nos sentimentos que juntei
Pequenos retalhos da nossa curta vida
Pequenos detalhes que tanto amei.

Amo-te e não te quis e não te quero
O teu sorrir é o meu desassossego
E se fosse tua nunca poderia partir
E se fosses meu, não o serias o suficiente...

Mas amo-te nesta ilusão que amo
Amo-te no que nunca deste e no que não tenho
Se não fosse este desejo insano,
ter-te cravado não me doía tanto!

sábado, 23 de abril de 2011

Inspirado em "Doce espera" de Geraldo Coelho Zacarias, PEAPAZ

terça-feira, 29 de março de 2011

A Razão...




Cabelos de uma longa escuridão
Olhos de um cintilante estrelar
Boca de carne aveludada e sem espinhos
Pele alva como raios de luar

Fui assim um dia
e é assim que me vejo!
Na idade da minha alma…
Na idade que o meu corpo não tem…

Talvez por ter uma alma jovem
Eu te veja jovem também…

Cabelos de ondas negras
Boca de um sorriso constelar
Pele de bronze de aroma letal
Olhos de um tom crepuscular

Foste assim um dia
e é assim que te vejo!
Na idade da minha alma,
na idade que o teu corpo não tem…

Por nos ver assim imunes ao Tempo
Por me ver em espaços que não existem mais
Repletos de sons de uma felicidade suspensa
Acredito que tu e eu éramos os Tais…

Os Tais das histórias de adormecer pequenas princesas
Aqueles cujos actos heróicos e sentimentos intensos
estão gravados na memória colectiva, imortalizados por uma pena criativa
que conta a história de seres comprometidos na Aurora da Vida…

Nasci assim marcada à nascença por um laço indizível
Aquele que é tecido pelo mais puro pedido
e que cravado na luz, de uma alma radiante, faz nascer
os amantes que já o eram, sem nunca o terem sido …

Sem nunca o termos sido – repete a minha alma imortal!
Talvez por essa razão, Eu não nos tenha esquecido…
A minha jovem Alma está presa num feitiço:
Uma fome que perdura, uma sede cativa de desejos tão antigos!

Talvez por ter uma alma jovem,
Idade que o meu corpo não tem,
O meu amor não possa crescer mais…
Na intensidade em que foi sentido, preso também!

sábado, 26 de março de 2011

Suspensa no infinito



Arranca-me as asas e não me deixes sonhar
Usa as palavras como punhais
Desfaz tudo que me é sagrado
Eu mesma não aguento mais…

Só não me perguntes como estou
ou como fico…
Deixa-me suspensa no infinito
e não olhes para trás!

Despedaça o meu peito e enterra o meu suspirar
Não tenho medo de nada ter e de nada sentir
Há muito que o amor se fez à estrada
e eu fiquei a vê-lo partir…

Parte-me os dedos para que morram os segredos
e nada possa contar…
É o fim do soneto, já só me resta gritar!

Parte e não olhes para trás!
Deixa-me suspensa no infinito
que Amanhã já não existo…

Ouve então o meu grito nas lágrimas que verto em vão
Perdida estou no infinito...
Tu, cujo nome repito como um eco do coração,
não te perguntes como estou ou como fico!


Autor desconhecido (contém hiperligação para a página de origem)